sábado, 17 de agosto de 2013

A sangrenta Guerra dos Emboabas (e os Amarais)

Os paulistas ficaram conhecidos por ter desbravado as terras brasileiras nas chamadas bandeiras. Numa dessas bandeiras foram descobertas as jazidas de ouro na antiga Capitania de São Vicente, e devido tal acontecimento a população da região cresceu bastante devido a chamada corrida do ouro.
Tudo começou quando uma tropa descia a serra ouropretana de Tripui e parou para descansar a beira de um riacho, e um dos integrantes subordinados do tropeiro querendo matar a sede colocou "uma gamela numa ribanceira e sem querer roçou-a pela margem do rio, vendo depois que nela havia uns granitos da côr do aço. Nem êle e nem seus companheiros, aos quais mostrou o achado, souberam conhecer que metal seria aquêle. Descansada, a tropa seguiu seu destino e ao chegar a Taubaté, o mulato vendeu a um comerciante alguns daqueles granitos, sem saber o comprador o que comprava e o vendedor o que vendia. Só mais tarde, é que chegandos os granitos às mãos do Governador Artur de Sá é que se veio a saber que êles era ouro finíssimo". (André João Antonil).

Heitor Gurgel conta que: "Levas e levas contínuas de gente de tôdas as classes e condições, prêtos, índios, mamelucos, curibócas, portuguêses, baianos, fluminenses, mineiros e paulistas deixavam suas terras e, por caminhos ásperos iam caminhando de sol a sol, não raro pelas noites a dentro, movidos pela ambição, com destino às minas gerais dos Cataguás. A essas levas se juntavam religiosos, seculares e clérigos, homens nobres e mulheres de sangue, ricos e pobres. Ante gente de todos os estôfos morais, era de esperar-se o que aconteceu."
Tal descoberta desencadeou uma soma de fatores que por fim resultaram no conflito bélico:
  • O aumento da população em um curto espaço de tempo. A região dos Cataguás, por exemplo, chegou a ter mais de 50 mil habitantes em apenas 10 anos(!), após a descoberta da primeira mina em 1695, que foi o primeiro ano do governo de Artur de Sá Menezes na Capitania do Rio de Janeiro;
  • As escavações eram feitas de qualquer jeito (sem técnica), então, os leitos dos rios e ribeiras das região ficavam cheios de detritos, ocasionando focos de mosquitos, que por sua vez aumentavam surtos de doenças tropicais na população da região;
  • A escassez de gêneros alimentícios na região devido o aumento populacional e os preços altos (superfaturados) praticados em tais alimentos. A logística do abastecimento da época (distâncias), a falta de utensílios de mineração, animais de carga e até mesmo mão de obra;
  • E o principal de todos: a rixa que se criou entre paulistas e forasteiros, devido os primeiros se julgarem 'donos da terra' devido a descoberta que fizeram, portanto, não viam com bons olhos a exploração de quem não era oriundo da região;
  • Não esquecendo a visão da Coroa Portuguesa, que percebia a descoberta das jazidas como um meio de enriquecer e reverter a crise que havia em terras lusas devido as dívidas.
O desprezo para com os estrangeiros era tanto que, que estes passaram a ser denominados pelo termo 'emboabas'. Para você que não sabe (nem eu sabia), o vocábulo 'emboaba' vem do tupi-guarani MBOAB, e significa 'pássaro com pena emplumada'. Os indígenas chamavam os europeus dessa forma, por estes trazerem calças. Logo, MBOAB passou a significar também calçudos, pernas vestidas. E os paulistas utilizavam tal termo como uma ironia, devido os 'gringos' e 'turistas (de outros estados)' usarem botas nas pernas, enquanto que eles (filhos da terra) em sua grande maioria andavam descalços.
Vale mencionar que nesse tempo, a maior parte da população paulista era formada por índios e mamelucos, e que estes falavam mais a língua tupi-guarni do que o português lusitano daquele tempo.
João Ameal comenta que: "de Portugal partia cada vez mais gente o que levou a Côrte a instituir o passaporte obrigatório para as pessoas que se destinavam ao Brasil. Mesmo assim, em 1709, partia de Lisboa uma frota de 97 navios, a maior de todos os tempos". Isso foi um mecanismo para tentar desestimular e/ou barrar a emigração, considerando a história, isso não surtiu efeito, visto que a imigração continuava a todo vapor para as terras de além do Oceano Atlântico (o Brasil).

Gurgel ainda descreve que: "Para os trabalhos de escavação eram preferidos os negros escravos que, quando fortes, valentes e ladinos custavam 300 oitavas de ouro, ao passo que uma negra, boa cozinheira, alcançava 350 oitavas, preço também de um barrilote de vinho verde. Assim, pelos poucos escravos negros que apareciam nas Gerais, levados por seus senhores recém-chegados no Rio de Janeiro ou de Portugal, eram logo oferecidas verdadeiras fortunas, chegando um escravo angolês espadaudo e môço, de propriedade de um mascate a ser comprado por 800 oitavas de ouro. Êsse mesmo mascate deu, no mesmo dia, por uma espiga de milho, para matar a fome, 2 oitavas de ouro e vendeu facas, alviões, foices e pás que trazia por muito mais do que carecia para ter um lucro superior a mil por cento. Acima, porém, do preço pago pelo braço escravo, imprescindível ao trabalho das minas, superiores mesmo ao custo de uma boa enxada ou picareta de ferro e aço sueco o mineiro pagava (e com que satisfação!...) pelo amor, dando por uma 'uma mulata de boas partes' (S. Suannes) 800 e mais oitavas de ouro. Mas, o feijão, a carne e o sal, às vezes valiam muito mais... Por ocasião da falta de gêneros alimentícios, êsses artigos de primeira necessidade alcançavam preços inacreditáveis, pois o ouro era o que, então, menos valia..."
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Quanto a família Amaral Gurgel ou Gurgel do Amaral, envolvida com essa fato histórico, segue o primeiro membro que está ligado a esse evento.
Para colocar ordem no local, foi criado o cargo de Capitão-Mór Regente, para o qual foi escolhido Francisco do Amaral Gurgel (1665-1721). Diogo se refere a ele como "um dos primeiros moradores do lugar e um dos mais abastados dentre êles".
Vale transcrever para cá um trecho já escrito anteriormente em outra publicação para melhor compreensão:
"Em 6/07/1706, Francisco após buscar D. Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre, foi nomeado por ele como o mais novo Capitão-Mór Regente das Minas Gerais de Ouro Preto. Se não fosse tão rixento e cultivasse tantos inimigos (alguns bem poderosos), o Capitão-Mór teria conseguido pacificar toda a região que lhe coube dirigir, administrar e policiar. Ficou nesse posto até o ano de 1709." E vale mencionar que D. Fernando, foi governador da Capitania do Rio de Janeiro entre 1705-1709.
O Coronel Francisco "pacificou o distrito, cobrou religiosamente os quintos de Sua Majestade, administrou o cível e no crime, pôs na cadeia criminosos e ladrões que infestavam a região e organizou o Corpo de Milícias. Não fôssem as rivalidades existentes entre planaltinos e forasteiros, que terminaram na sangrenta Guerra dos Emboabas, o Capitão-Mór Francisco do Amaral Gurgel teria pacificado inteiramente o distrito que lhe coube dirigir, administrar e policiar."

Baseado em pesquisas e na obra de Heitor Gurgel, autor de Uma Família Carioca do Séc. XVI.

sábado, 3 de agosto de 2013

Antiga Igreja dos Jesuítas e o antigo Morro do Castello

O grande relógio da sala de jantar bateu quatro horas da tarde, lá na casa dos pais de Domingas. Desde então sua família, convidados partiam para a (extinta) Igreja dos Padres de Jhesus (ou do Bom Jesus dos Perdões). A tradição pede que a noiva seja a última a chegar, assim o fez a donzela.
O Morro do Castelo foi o berço de São Sebastião do Rio de Janeiro, e foi em suas bases que a cidade floresceu. Esse local foi escolhido para reerguer o que viria a ser o embrião de uma futura metrópole, devido os seguintes motivos:
  • Ficar de frente com a Ilha de Seregipe;
  • Possuir uma boa visibilidade de toda a extensão da Baía de Guanabara; 
  • O movimento de entrada e saída de embarcações na entrada da barra; 
  • O local era fresco e havia uma nascente de água potável;
  • Era cercado por lagoas e manguezais, regiões que dificultariam o seu acesso;
A intenção era a de criar uma boa defesa para o caso de uma nova invasão e estar preparado com antecedência para o ataque, se fossem avistados navios de inimigos.
Não havendo mais para onde crescer e não existindo mais perigo, a cidade se expandiu para além do morro entre as planícies dos outros morros (de São Bento, de Santo Antônio e da Conceição).

Existiam histórias pitorescas e muitas especulações sobre a existência de grande quantidade de ouro pertencente aos jesuítas, que estaria escondida em túneis subterrâneos. Talvez este seja um dos motivos que levou indivíduos gananciosos a proporem a demolição do morro.
Desde o reinado de D. João VI de Portugal, já se pensava em demolir o morro por causa da má circulação dos ventos e do impedimento do livre escoamentos das águas, não esquecendo que era uma região habitada por pessoas carentes em plena área central.
Muitos anos se passaram desde quando tal ideia foi concebida na corte real (...) até que em 1921, o Morro do Castelo foi devastado sob ordem do então prefeito do Distrito Federal da época, Carlos Sampaio. A região ficou conhecida como 'Esplanada do Castelo' e lá se foram 184 mil m² de terra para diversas regiões, entre elas, o Aeroporto Santos Dumont.
O morro que já teve os nomes de 'Descanço', Alto da Sé, Alto de São Sebastião, São Januário e depois Morro do Castelo e no seu alto haviam duas igrejas (atualmente demolidas), uma delas tinha na sua porta: a inscrição '1567' (ano de sua construção e da mudança Cara de Cão-Descanço).
Não foi primeiro desmonte de morro no que chamam 'Cidade Maravilhosa' (...), não esse o foco desse texto (quem estiver interessado há bastante conteúdo disponível nos mares virtuais).

O que essa gestão passada fez com o antigo Morro do Castello é imperdoável, visto que, uma cidadela quinhentista com ar medieval em pleno Brasil já não existe mais. As autoridades daquela época trataram o berço de uma das primeiras cidades do país como algo descartável, tudo em prol da mentalidade progressista daqueles tempos, um verdadeiro absurdo para os dias atuais. Semanticamente escrevendo foi uma apunhalada ao patrimônio histórico, artístico e cultural da nação brasileira.

Baseado em pesquisas, principalmente: Diário do Rio (http://bit.ly/2jbw2uf) + Curiosidades Cariocas (http://bit.ly/2iLa2n2) + Viagens ao Rio antigo (http://bit.ly/2jnAP9H) + Histórias e Monumentos (http://bit.ly/2jIoUqg).

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Antiga Igreja dos Padres de Jhesus por volta de 1918. Registro de Augusto Malta.
Caro leitor, o deixo apreciando esse registro fotográfico quase centenário de um pedaço de Rio que não existe mais, e que é possível apenas conhecer pesquisando sobre.
Foi nessa igreja que se iniciou a numerosa e antiga família dos Gurgel do Amaral ou Amaral Gurgel (como preferir denominar).

sábado, 27 de julho de 2013

Brasão de Armas da Família Medeiros

A história dessa família é também incerta, devido o sobrenome ser de origem toponímica. Mas esse sobrenome, possui certa peculiaridade (que irei comentar depois). Os que o utilizam:
  • Muito provavelmente moravam perto de algum estábulo (medeiro), que nada mais é que um lugar onde há medas (animais), montes de feixes de trigo, palha. Portanto, os primeiros Medeiros ou moravam próximo ou ainda trabalhavam cuidando de pastos para animais. Pois 'medeiros' é um derivado de 'meda', que por sua vez significa objetos/alimentos empilhados.
  • Há localidades nos dois países da Península Ibérica que se chamam Medeiros. Portanto, os que viviam em tais localidades adotaram a denominação como sobrenome.
O Armorial Lusitano conta que: Martim Sanches de Medas, um cavaleiro do tempo do Rei D. Afonso III de Portugal, levou o pendão do Conde D. Martim  Gil de Soverosa, grande senhor daquele tempo, que guerreava contra D. Rodrigo Sanches (filho bastardo do Rei D. Sancho I de Portugal), que foi vencido e morto nesse combate do Porto em 1245.
Martim Sanches de Medas casou com D. Dórdia Nunes de Aguiar, filha de Nuno Martins de Aguiar, descendente de D. Arnaldo, senhor de Baião, e também de D. Gonçalo Mendes de Sousa. Desse matrimônio (Martim-Dórdia) surgiram vários filhos que utilizaram o sobrenome Medas.
Apesar de não ser muito aceita, alguns genealogistas consideram que Medas foi uma forma primitiva de grafar o sobrenome Medeiros, pois há similaridade apesar de não haver comprovação de um elo entre Medas-Medeiros.
A pessoa mais antiga com esse sobrenome que se tem registro é Rui Gonçalves de Medeiros, que tomou partido do Mestre de Avis, o futuro Rei D. João I de Portugal contra o Rei D. Juan I de Castilla.
É de Rui Gonçalves de Medeiros que descendem os que possuem tal sobrenome. Um ramo dessa família se fixou na região do Algarve, e um outro ramo na ilha de São Miguel, Açores, ambos oriundos da Vila de Ponte de Lima, Portugal, os dois durante o século XV.
O povo de Évora, Portugal, pôs o alcaide do castelo, Álvaro Mendes de Oliveira no poder. Rui defendeu o partido da Rainha D. Brites (a proprietária) e expulsou Álvaro de lá. Como recompensa, a rainha entregou-lhes o castelo.
No Brasil, os Medeiros descendem de bandeirantes e sertanistas que partiram de São Paulo, entraram em Minas, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, e foram acompanhando o curso do rio São Francisco, onde dedicaram-se à criação de gado e à abertura de roças e caminhos para buscar índios no sertão e pegar negros fugidos.

Informações retiradas do artigo de Djanira Sá Almeida no Webartigos (http://bit.ly/2jED8UO) + Origem do Sobrenome (http://bit.ly/2jf8BAG).


Escudo d'Armas dos Medeiros: de vermelho, com cinco cabeças de águias de oiro, postas em sautor. Timbre: uma água estendida, sainte, de vermelho, armada de oiro.

Fonte: Armorial Lusitano, pág. 352.

domingo, 21 de julho de 2013

Os Batistas de Andrade (do Rio Grande do Norte)

Dando continuidade ao compartilhamento de informações sobre famílias recentes que descendo.
Vos apresento um ramo dos Batista de Andrade do Rio Grande do Norte.
Manoel João Batista se casou com Maria Rosa Andrade. O casal gerou os seguintes filhos:
1. Joaquina Batista de Andrade (?-1936).
2. Anísio Batista de Andrade.
3. José Batista de Andrade.

Desconheço se houveram mais filhos desse casal. E de acordo com relatos do meu avô que (cresci ouvindo sempre a mesma versão):
  • Maria Rosa viveu mais 100 anos de idade;
  • Os dois irmãos de Joaquina não se casaram. Isso já é minha intuição: suponho que devido terem morrido jovens ou serem doentes. E se constituíram, tal fato me é desconhecido;
Joaquina Batista de Andrade foi casada com João Garcia de Medeiros (?-1923) e foi mãe de vários filhos que serão abordados em um outro momento mais detalhadamente, a prole do casal (que tenho conhecimento) nasceu entre 1910 e 1922
No que se refere a Joaquina, esta faleceu quando meu avô tinha por volta de 12 ou 13 anos, portanto aproximadamente em 1936. E o seu esposo (pai do meu avô) em 1923, quando meu avô ainda tinha 3 anos de idade.
Quanto a minha ascendência mais recente (eu até meus trisavos) até então conhecida, esse é o ramo que menos possuo informações.
Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Brasão de Armas da Família Garcia

A história dessa família é incerta, visto é um sobrenome de origem patronímica. Vale uma breve explicação segundo o Wikipedia. Esse tipo de denominação, nada mais é que um sobrenome que descreve a origem em um ascendente masculino um clã, seja ela o pai de alguém, o avô, o tio (cada caso é um caso). Portanto lembre-se que:
  1. Se um sobrenome é proveniente do nome de uma pessoa, logo muitos outros casos ocorreram, então, um não está relacionado com o outro em termos de genética. Em síntese: nem todas as famílias com este sobrenome pertencem a mesma linhagem com uma único origem comum.
  2. Esteja ciente também que se uma pessoa tem o mesmo sobrenome, ela não é obrigatoriamente descendente do mesmo ramo que você.
Garcia foi um nome masculino de origem basca (atualmente em desuso), que possui os seguintes significados: kartze-a (o urso) ou gartzea (o jovem), que se assemelham bastante ao atual adjetivo basco gazte(a). A conversão de nome em sobrenome ocorreu durante a Idade Média. A origem desse termo basco surgiu, precisamente no antigo Reino de Navarra / Regnum Navarrae / Nafarroako Erresuma.
Entre as famílias mais antigas citadas pelo Armorial Lusitano, há a de Gonçalo Garcia de Gondim, bisavô por varonia de Gaspar Rodrigues de Gondim, natural de Viana do Castelo, a quem o Rei D. João III de Portugal, em 26-1-1543, deu Carta de brasão de armas por descender de Gonçalo.
O referido brasão é utilizado por várias pessoas que possuem tal sobrenome, ainda que não possuam grau de parentesco com tal linhagem. 

 

Escudo d'Armas dos Garcias: de prata, com três leopardos de vermelho, armados e lampassados de azul, um sobre o outro. Timbre: o leopardo do escudo.

Fonte: Armorial Lusitano, pág. 244.

Os Garcias de Medeiros (do Rio Grande do Norte)

Até então, já abordei bastante sobre a família que mais tenho informações e da qual descendo. Todavia, essa será uma publicação diferente, visto que irei abordar um família mais recente em relação as demais já descritas por aqui, vos apresento um ramo dos Garcia de Medeiros do Rio Grande do Norte.
José Tibúrcio Garcia de Medeiros se casou com Salustiana da Silva. O casal gerou os seguintes filhos:
1. João Garcia de Medeiros (?-1923).
2. Isabel Garcia de Medeiros.

Segundo os relatos do meu avô (cresci ouvindo sempre a mesma versão):
  • Salustiana viveu mais de 100 anos de idade;
  • Isabel se casou com um proprietário de terras (talvez um fazendeiro ou dono de sítio), e com o passar do tempo perdeu o contato com a família;
  • João faleceu em 1923 no que é a atual microrregião do Cariri, pertencente ao estado brasileorp do Ceará em uma de suas muitas viagens (era comerciante) próximo da ou na divisa com o estado do Pernambuco;
No que se refere a relatos (orais) estes são verídicos, ainda que com o passar do tempo a real versão da história se perca, fique confusa, imprecisa e até mesmo fantasiosa. Se não fosse algo confiável, a metodologia (μεθοδολογία) ignoraria tudo o que é proveniente da oralidade. O foco desta publicação não é debater sobre metodologia, e sim genealogia (relacionada as minhas origens), portanto tal assunto será retomado.
João Garcia de Medeiros se casou com Joaquina Batista de Andrade (?-1936) e foi pai de vários filhos que serão abordados em um outro momento mais detalhadamente, a prole do casal (que tenho conhecimento) nasceu entre 1910 e 1922.
No que se refere a João, este faleceu quando meu avô ainda tinha 3 anos, portanto aproximadamente em 1923 e a sua esposa (mãe do meu avô) em 1936, quando este tinha por volta de 12 ou 13 anos.

Quanto a João Tibúrcio Garcia (meu trisavô), talvez ele tenha sido um (provável e suposto) descendente de João Garcia de Araújo (1796-?) casado com Maria Francisca de Medeiros (1788-1814), filha de José Inácio de Matos e Quitéria Maria da Conceição, que por sua vez estão citados no blog Mitoblogos (http://bit.ly/2iMivGk).
De acordo com os relatos, o meu ramo possui parentes em maior ou menor grau de parentesco nos seguintes municípios rio grandenses do norte (potiguares):
  • Caicó;
  • Campo Grande;
  • Caraúbas;
  • Jardim de Piranhas;
  • Mossoró;
E outros não mencionados (devido imprecisão de dados e/ou desconhecimento).
João Garcia de Medeiros e Salustiana da Silva foram descobertos numa cópia da certidão de nascimento do meu avô paterno, portanto tais informações são verídicas.
Vale ainda ressaltar que através das duas gerações descritas acima, o sobrenome Garcia de Medeiros se manteve inalterado de pai para filhos. Talvez isso seja um indício da importância dessa família na região.
E considerando o costume daquela época, talvez Isabel e João, filhos de João Tibúrcio tenham tido outros irmãos e irmãs (porém desconheço informações).
Se houver alguém que queria compartilhar informações, sinta-se a vontade para comentar.

sábado, 22 de junho de 2013

Rio Almonda, uma árvore, um vilarejo e a minha família

A maioria das cidades de antigamente surgiram próximas a alguma fonte de água potável, tais como lagos, rios, riachos, córregos e até mesmo do mar, no caso desse último, por conta da facilidade de transportar qualquer tipo de carga de uma região a outra. Isso quando não surgiam em serras de difícil acesso, já que as guerras eram comuns naqueles tempos (e ainda são), portanto a proteção também era um fator a ser considerado para o surgimento de uma cidade. Há ainda o caso das cidades que surgiram no meio de estradas, por conta de alguma rota comercial.
O Rio Almonda nasce numa gruta da encosta sudoeste da Serra de Aire (679 m), percorre aproximadamente 20 quilômetros até se encontrar com o maior rio da Península Ibérica, o Rio Tejo.
Se a toponímia for levada em consideração após divisão do nome desse pequeno rio (Almoda = Al + Monda) em dois termos, surgirão: a palavra árabe 'al' que nada mais é que o artigo definido o/a, e a palavra 'monda' que parece derivar de palavras de origem latina como por exemplo, 'mundus' que significa limpo. Logo, Almonda possui significado aproximado de 'o purificador', conforme o pensamento do arqueólogo Carlos Leitão Carreira (http://bit.ly/1J91VLf).
As águas desse rio correm próximas a diversas localidades até chegar na foz, entre elas, a Freguesia de Azinhaga, no concelho de Golegã, por onde passa por último até desaguar na margem direita do Tejo.
Essa localidade é considerada como a aldeia mais portuguesa do Ribatejo (http://bit.ly/243Pk4p).
Mais esse título não é a tôa, uma vez que já existia antes da fundação do país, no tempo em que boa parte do seu território era dominado por árabes, tanto é que, o termo 'Azinhaga', muito provavelmente deriva de 'azenha', que em árabe significa: apertar ou estreitar; ou ainda  'zenagga', que quer dizer em árabe, "muitas azinheiras juntas" (http://bit.ly/1XrSgDq).
Azinheira (Quercus ilex ) para quem não sabe, (nem eu sabia até pouco tempo atrás) é uma espécie de árvore que pode medir até 10 metros de altura e que existe em abundância em Portugal.
Sua madeira é dura e resistente à putrefação, sendo largamente utilizada, desde a antiguidade até os dias atuais, na construção de habitações (vigas e pilares), embarcações, barris para envelhecimento de vinhos e na fabricação de ferramentas. Ainda hoje, a sua madeira é utilizada como lenha e na fabricação de carvão, que continua sendo uma importante fonte de combustível doméstico em muitas regiões ibéricas.
Foi nesse vilarejo na beira do rio, próximo de muitas árvores que nasceram, o Mestre Antônio Nunes da Silva (1585-?) que se casou com Maria Jordão (1590-?). Foram pais de:
1. Capitão João Batista Jordão (1605-?), nascido em Alvorninha, no concelho de Caldas da Rainha. Se casou com Ângela do Amaral Gurgel (1616-1695) com descendência (já citada).
2. Padre Estevão Nunes, foi clérigo de São Pedro.
3. Coronel José Nunes da Silva (1611-1698), nascido no Rio Janeiro - RJ, Brasil. Se casou em 1639 com Méssia do Amaral Gurgel (1617-1687) com descendência (já citada). Sua esposa é irmã de Ângela do Amaral Gurgel.
4. Manoel Jordão da Silva se casou em primeiras núpcias com Cipriana Martins. Tendo ela falecido, se casou em segundas núpcias com Margarida de Lima (sem descendência conhecida dos dois casamentos).
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Suposições

O casal teve 4 filhos, no entanto é conhecido o local de nascimento de apenas dois. Chama a atenção o fato de o mais velho ter nascido numa aldeia longe da terra natal de seus pais. O que os motivou a deixar a aldeia há mais de 400 anos atrás?
Há uma via em Ituverava - SP, Brasil que se chama Rua Coronel José Nunes da Silva (http://bit.ly/1U1xafj). Teria sido essa a forma que algum possível descendente desse militar conseguiu homenageá-lo?
Porque todos os filhos do casal tem combinações de sobrenomes diferentes? Seria uma antiga forma de hierarquia relacionada a ordem de nascimento?
Jordão é o nome de um rio situado no Oriente Médio e que é muito importante no meio religioso, e também um sobrenome serfadita (http://bit.ly/1Wlvz2z)... Seria Maria Jordão um judia descendente dos judeus expulsos em 135 d. C.? (Provavelmente sim, isso explica as mudanças constantes de cidades... Vale ressaltar que seus filhos nasceram em locais diferentes e que na época em que ela viveu já ocorria a Inquisição Portuguesa).
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Caro leitor, o deixo admirando esse charmoso vilarejo português que espero um dia conhecer, fotografado por José Manuel Melrinho no alto da torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, foto cedida por Ana Peralta Gonçalves Melrinho para o blog Azinhaga. Confira mais fotos em http://bit.ly/1R38eBf. :)